O MERCADO DE TRABALHO RURAL E SEUS DESAFIOS
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Publicado em 10 de fevereiro de 2025
O agronegócio brasileiro empregou 28,4 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2024, um aumento de mais de 533 mil pessoas se comparado com o mesmo período de 2023, é o que apontou uma pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás foram os que mais registraram empregos ao longo de 2024, com destaque para a produção de soja, café e laranja.
Com salários atrativos e um leque de serviços, observa-se que o campo necessita cada vez mais de mão-de-obra, embora muitos produtores rurais sofram para conseguir encontrar profissionais que queiram trabalhar no campo, mesmo com tantos incentivos que são relacionados as vagas disponíveis., por este motivo, investir na gestão de pessoas tem sido a saída para que as empresas rurais tenham resultados promissores na contratação e até mesmo manutenção de profissionais nas propriedades rurais.
O advogado trabalhista, especialista em reestruturação de RH Thiago Amaral explica que é preciso investir cada vez mais na área humana das propriedades, motivar e qualificar são algumas saídas inteligentes.
O advogado reforça que em empresas rurais, o aspecto humano é crucial, pois estamos falando de trabalhadores que lidam diretamente com os resultados do negócio. “Motivar e qualificar uma equipe requer uma abordagem que combine reconhecimento, oportunidades de crescimento e treinamento técnico contínuo”. Além disso, a motivação pode ser mantida por meio de prêmios justos, feedback constante e oportunidades claras de desenvolvimento. Além disso, investir em capacitação não apenas técnica, mas também comportamental, como treinamentos sobre segurança no trabalho e boas práticas de convivência, cria um ambiente produtivo e harmonioso.
É preciso ousar para conseguir manter os trabalhadores nas propriedades rurais, uma vez que os desafios são enormes, por isso, estar sempre buscando soluções que possam colocar os colaboradores como parte da empresa é um ponto a ser seguido constantemente. “Observamos que a falta de reconhecimento pode fazer com que bons funcionários busquem oportunidades em outras propriedades, a ausência de planos de carreira ou perspectivas de crescimento desmotivam os trabalhadores e o clima organizacional tóxico onde pequenos conflitos não resolvidos rapidamente geram desunião, são desafios a serem superados”, comenta Thiago Amaral.
A entrega de resultados é consequência de grandes investimentos na zona rural. Gerar oportunidades de crescimento, como promoções internas e capacitação, faz com que o funcionário enxergue um futuro na empresa. Pequenos gestos, como elogiar um bom trabalho publicamente, têm um impacto positivo. “Colaboradores sem engajamento tendem a trabalhar apenas pelo salário, sem envolvimento emocional com o resultado final da fazenda. Isso gera atrasos, perda de produtividade, e, muitas vezes, um ambiente de insatisfação que se espalha rapidamente entre os demais membros da equipe. O engajamento é construído quando o colaborador entende o propósito da empresa e sente que o esforço é valorizado e recompensado”.
Mas, o advogado salienta que o engajamento não é construído da noite para o dia e para promovê-lo, algumas ações podem ajudar. “Sugiro que seja feita a definição e a comunicação dos propósitos da fazenda, demostrar como cada colaborador é uma peça fundamental nos resultados, oferecer prêmios por desempenho: Como prêmios em safras de sucesso (cuidado com a natureza salarial desses prêmios), treinamentos práticos: capacitação técnica voltada ao trabalho diário e oferta de um ambiente seguro e saudável, investindo em segurança e qualidade de vida no trabalho”.
Empresas rurais que se preocupam com o desenvolvimento e qualificação dos colaboradores tendem a sair na frente e a lucrar com uma equipe cada vez mais capacitada e isso é comprovado na prática, pois as empresas que investem nos colaboradores reduzem erros operacionais, aumentam a produtividade e conseguem reter talentos. Além disso, a qualificação traz inovação para o campo, com novas práticas que otimizam a produção e geram economia no médio e longo prazo.
Outro detalhe que vale muito no ambiente corporativo e que é uma chave para o sucesso é a liderança. Possuir um líder que inspire a equipe é uma saída para resolver conflitos. “Líderes inspiradores são peças-chave no sucesso de qualquer equipe. No ambiente rural, muitas vezes o dono da fazenda assume essa liderança, mas é importante delegar ou formar líderes intermediários. Um bom líder sabe escutar, resolver problemas com imparcialidade e manter o foco nos objetivos da empresa. Líderes bem-preparados evitam que pequenos conflitos se tornem grandes crises”.
E por fim, vale ter em mente que gerir pessoas no meio rural não é apenas uma questão de retenção de mão de obra; é uma estratégia de crescimento sustentável. “Empresas que cuidam do capital humano, oferecendo boas condições de trabalho, capacitação e oportunidades de desenvolvimento, não apenas colhem os frutos em termos de produtividade, mas também criam uma cultura organizacional forte, onde todos trabalham com um objetivo comum. Afinal, a fazenda é uma empresa e pessoas engajadas são o principal ativo de qualquer negócio”, conclui Thiago Amaral.